“A Lava Jato cai como um castelo de cartas”, diz presidente do PT de Salvador

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de retomar o julgamento do ex-juiz Sérgio Moro como suspeito pela condenação do ex-presidente Lula nos casos do tríplex, do Sítio de Atibaia, e dois processos envolvendo o Instituto Lula, foi para o presidente do PT de Salvador, Ademário Costa, “uma pá de cal sobre os operadores da Lava Jato”, que, para ele, “é a maior organização criminosa contra a democracia brasileira depois do Golpe de 1964”.

“A Operação Lava Jato caiu como um castelo de cartas. Na ânsia de acelerar o processo para atingir Lula, Moro dirigiu um projeto populista que corrompeu as instituições que deveriam resguardar o Estado democrático e de direito, estamos diante do maior escândalo judiciário de nossa história. Um Juiz não pode ser acusador”, avaliou Ademário.

O julgamento do STF volta logo após o ministro Luiz Edson Fachin declarar que a 13ª Vara Federal de Curitiba, que tinha Moro como titular, é incompetente para processar e julgar, anulando condenações do ex-presidente Lula e lhe restituindo os direitos políticos.

“A Lava Jato é a maior crise que se abateu na Justiça Federal do Brasil desde a sua refundação. O ex-juiz Moro, com seu modelo de atuação jurisdicional ativa e persecutória, agiu para forjar provas, orientar a acusação, obstruir a defesa e firmar parceria com instituições internacionais, sem o devido conhecimento e anuência das autoridades brasileiras. Portanto, a Lava Jato se tornou um estado paralelo, colocando-se acima da própria Justiça”, ressaltou o dirigente.

Para Ademário, nada justifica os crimes cometidos pela Lava Jato contra o Estado Democrático de Direito, através do que chamou de “conluio vergonhoso entre Polícia Federal, Ministério Público e juízes”, questionado os erros da Justiça. “O que o povo pode fazer quando os crimes são cometidos pelo próprio Sistema Judiciário? Essa é a satisfação que devemos dar para os 812 mil presos no Brasil, dos quais 41,5% são presos provisórios, sem nenhuma condenação, sendo destes 63,7% pessoas negras”, disse.

E completou, “Ninguém pode estar acima da lei, mas também ninguém pode estar abaixo dela, nem o ex-presidente Lula, nem nenhum brasileiro ou brasileira”, afirmou.