Câmara de Salvador discute homenagens a escravocratas e a importância da memória da população afro-b


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Sessão especial discute também a relação do Estado com as políticas públicas que enalteçam a história de luta, resistência e dos povos que foram oprimidos em Salvador e no país


A Câmara Municipal de Salvador vai realizar, nesta quarta-feira (20), a sessão especial “Fogo da Reparação: Caminhos para fortalecer a memória, reconhecer a verdade e a história da população afro-brasileira e indígena”. Com foco no debate que veio à tona nos últimos tempos, sobre a narrativa que marca os espaços públicos do país com homenagens a figuras públicas que nada mais eram do que escravocratas, genocidas ou opressores, a sessão especial discute também a relação do Estado com as políticas públicas que repensem a valorização da cultura e da memória da população afro-brasileira e indígena que foi silenciada e apagada com o processo de construção social, escravagista, econômico e colonizador do país.


Solicitada pela Comissão de Direitos Humanos e de Defesa da Democracia Makota Valdina, presidida pela vereadora Marta Rodrigues (PT), a sessão acontece pelo Zoom e será transmitida ao vivo pela TV CAM e pelas redes sociais do legislativo municipal (www.facebook.com/tveradiocam), a partir das 10 horas. Participam movimentos sociais, representantes da população afro-brasileira e índigena, e estudiosos que, dentre outras coisas, falarão sobre a urgência em resgatar a história, valorizando sua diversidade e memória, e fortalecendo-a como patrimônio cultural, e garantir os pilares da justiça de transição que são “justiça, memória, verdade e reparação”.


“Salvador, primeira capital e cidade mais negra do país, que viveu processos escravagista, genocida, catequizador e opressor não pode ficar de fora desse debate. Não podemos enaltecer a continuidade desses processos através de narrativas e homenagens. Ao colocar nesses espaços e criar políticas públicas para enaltecer aqueles que representam a história de luta, resistência, sobrevivência, democracia e liberdade, a gente leva a memória para o futuro e conta a história da maioria da população brasileira, que é negra, pobre, indígena e que foi oprimida ao longo de séculos”, diz Marta Rodrigues, autora de Projetos de Leis na Câmara de Salvador que pede a retirada de monumentos e homenagens a escravocratas nos espaços públicos da capital e cria o Memorial da Escravidão.

O evento conta com a participação da jornalista e doutora em Antropologia, Cleidiana Ramos; do Cacique Juvenal Payaya, do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da CBahia (Mupoiba); do presidente da Comissão Estadual da Verdade Sobre a Escravidão Negra no Brasil, Alexandre Hermes; da professora do Departamento e do Programa de Pós Graduação em História, diretora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, Maria Hilda Paraíso; da artista visual e pesquisadora Thaynara Itaparica; do professor Jucelho Dantas da Cruz, representante do povo cigano.


Participam ainda Walmir França, assessor da Coordenação de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado; Alice Fabris, doutora em Direito pela ENS Paris-Saclay/Institut des Sciences sociales du Politique, além da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), dos vereadores Sílvio Humberto (PSB) e Suíca (PT).