Especialistas alertam para cuidados com fogos em tempos de Covid-19

Fumaça, fogos, fogueiras, queimaduras, resfriados e alergias. Essa combinação parece inevitável durante os festejos juninos. Em 2020, no auge da pandemia de Covid-19, as comemorações foram contidas e limitadas a reuniões familiares. Em 2021, com a retomada gradual das atividades, é preciso estar atento aos cuidados necessários para preservar a integridade física do cidadão e evitar a ida às unidades de saúde, que ainda registram alta demanda devido ao coronavírus.

Neste período do ano, conhecido pelos dias mais frios e ainda com a presença da Covid-19, ter contato com qualquer tipo de fumaça é uma situação de alto risco à saúde. A recomendação do médico clínico Afonso Batista, referência em pneumologia sanitária da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), por exemplo, é evitar acender fogueira ou ficar próximo a ela.

“Embora Salvador não tenha muita fogueira, se você tiver uma crise de asma, alergia, ou testar positivo para o coronavírus, a fumaça piora os sintomas mesmo se você estiver assintomático. Se você tem um grau de alergia, ela também se agrava com a fumaça. E se surgir qualquer sintoma, o ideal é fazer o teste e evitar o contato com a fogueira”, destaca.

Além disso, os gases produzidos pela queima da madeira, como o monóxido de carbono, podem ser prejudiciais para o organismo. “Se você respira monóxido, diminui o oxigênio, e pessoas com predisposição às doenças pulmonares têm uma tendência a ter a piora do quadro”, completa Batista.

O especialista lembra que, além dos problemas respiratórios, existe o risco de irritação das vistas, tudo devido à inalação dos gases. E, claro, independente de qualquer situação, é necessário usar todas as medidas de proteção já recomendadas, como o uso de máscara, lavar as mãos e beber bastante água, pois a hidratação é fundamental.

“Não podemos esquecer que estamos no inverno, por isso as síndromes gripais são mais propensas de acontecer. Mesmo com a vacina da gripe e da Covid-19, os cuidados precisam ser mantidos”, concluiu Batista.

Queimaduras – Os mais teimosos que insistem em queimar fogos devem estar atentos para evitar danos e aproveitar, ilesos, o São João. Mas, quando a prevenção falha e a brincadeira resulta em queimaduras, o ideal é lavar o local com água abundante.

“Nada de colocar manteiga, pasta de dente ou cremes inadequados, pois a água lava resquícios de pólvora e retira o efeito térmico, para higienizar o local. É importante também entrar em contato com o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu 192), a fim de perceber qual o grau da queimadura, por exemplo”, orienta o diretor de Urgência e Emergência da capital baiana, Ivan Paiva.

Ele ressalta ainda os tipos de queimadura e o que causam na pele. “A de primeiro grau assemelha-se àquelas de praia, com ardor e vermelhidão. Quando começa a formar bolhas com líquidos, sabemos que uma camada mais profunda da pele foi acometida, resultando então em queimadura de segundo grau. E quando, mesmo sem formar bolhas, a lesão faz ceder e afeta as camadas mais profundas, chamamos de queimadura de terceiro grau. No entanto, para saber a gravidade do caso e o quanto a pessoa se queimou, deve-se entrar em contato com o serviço”, completa.

Cães – Os fogos de artifício, tão comuns neste período junino, é um tormento também para os pets. O artefato, que tanto encanta e diverte as pessoas, tem consequências adversas que fazem mal aos cães, como o barulho e os clarões provocados que assustam até os mais corajosos e confiantes. Um dos sintomas comuns é a taquicardia, já que a audição deles é quatro vezes mais aguçada que a dos humanos, mas pode causar até o falecimento. Portanto, um simples ruído se torna um barulho muito forte e ensurdecedor.

A diretora Tainara Ferreira, de Promoção à Saúde e Proteção Animal (Dipa) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), reforça que o ideal é que não se solte fogos, para que as pessoas percebam que, nesta época que vivemos, a tradição precisa ser revista. “Os fogos são uma diversão para a gente, mas um sofrimento para os animais, e muitas vezes eles não têm onde ficar acuados, porque mesmo num quarto eles vão ficar tremendo, com medo”, destaca.

O médico veterinário Fabrício Porto recomenda que eles fiquem em locais onde se sintam protegidos, evitando que tenham acesso aos locais onde os fogos são soltos. Além disso, ele recomenda diminuir o tempo de passeio dos pets, pois eles também podem se assustar nas ruas, se desorientar e fugir ou se acidentar.

“É difícil prever o comportamento, pois uns se retraem e outros ficam agressivos, mas a sugestão é deixar os animais em casa e tomar cuidado com as guias nos passeios. Se o grau de excitação for grande, recomendo que haja ação de medicamentos, mas com orientação de um veterinário”.

Porto também fala que, caso o animal venha a ter taquicardia ou algum sintoma mais grave por conta do estresse causado pelas bombas, o ideal é levar ao veterinário, pois já é uma condição de emergência. “Infelizmente não há legislação que possa impedir os cidadãos de soltarem fogos. O que podemos fazer é ter o máximo de cautela, para que todos possam aproveitar as festas com tranquilidade”, finaliza.