Evento discute saúde e sexualidade de mulheres lésbicas


Foto: Reprodução

Em alusão ao Dia Nacional da Visibilidade Lésbica (29 de agosto), a Secretaria Municipal da Reparação (Semur) realizou, na tarde desta segunda-feira (30), uma palestra sobre saúde e sexualidade entre mulheres. O evento, realizado no Centro de Referência LGBT Vida Bruno, reuniu os profissionais que atuam no local, de forma a prepará-los para elucidar dúvidas de mulheres que buscam por esclarecimentos por meio do serviço municipal.


Para a palestrante, a ginecologista e obstetra Jaqueline Neves, o papel dos profissionais de saúde é acolher o público e criar laços para que as mulheres possam ter liberdade nos atendimentos. Além disso, a médica ressaltou que ainda há muitos tabus que precisam ser quebrados tanto pelas mulheres quanto pelos profissionais de saúde, de modo a garantir um atendimento que considere as individualidades.


Na ocasião, foram abordados temas como doenças sexualmente transmissíveis e outras patologias que podem ser compartilhadas durante a relação, importância do acompanhamento ginecológico para homens trans e lésbicas e a importância da empatia nos variados atendimentos.


“Devemos fomentar que todas sejam livres para escolher sua orientação. Os métodos para prevenção de doenças precisam melhorar, mas isso só vai acontecer com um posicionamento forte das mulheres frente a isso. Infelizmente o preservativo feminino é caro, difícil de colocar e de encontrar”, pontuou.

O presidente do Conselho Municipal de Promoção e Defesa dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (CMLGBT+), Walter Júnior, destacou que a necessidade de um dia da visibilidade lésbica, como forma de demarcar um lugar de fala, evidência que há algo de errado na construção da sociedade.


“A sociedade está em um processo de transformação, o que é bem vindo. A própria sigla LGBTQI+ está também nessa transitoriedade. Este evento traz luz sobre um atendimento médico humanizado”.

“Quando a gente fala de diversidade e inclusão é preciso entender os diversos sujeitos e suas narrativas, seus corpos e desejos e garantir efetivamente estes direitos. Vivemos hoje em um estado democrático de direito onde fazer valer a lei é importante e cabe ao movimento social fazer frente nesse sentido e apoiar a instâncias e órgãos, a exemplo do conselho municipal”, completou Walter Júnior.

O Dia da Visibilidade Lésbica é celebrado há 25 anos no país e surgiu com a proposta de abordar a necessidade de promover a representatividade lésbica e reforçar o combate a lesbofobia – prática que engloba, dentre outros males, o preconceito contra mulheres lésbicas.


Apoio institucional – O Centro de Referência LGBT Vida Bruno, situado na Avenida Oceânica, 3731, no Rio Vermelho, oferece ao público serviços de apoio social, psicológico e jurídico desde 2016. O atendimento é realizado por demanda espontânea, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, seguindo todos os protocolos sanitários atuais contra a Covid-19.