Feira de São Joaquim é tema de estudos de arte em Salvador


Foto: Catarina Brandão


A produção popular de artesanato do sertão e do Recôncavo baiano, os criativos utensílios domésticos, a imensa riqueza de materiais e produções manufaturadas que estão na Feira de São Joaquim, na Cidade Baixa, em Salvador, são objetos de estudos de museólogos, historiadores, fotógrafos e estudantes. Os visitantes fizeram fotos da feira, coletaram informações, discutindo e aprimorando o conhecimento sobre produção popular.


Participaram ainda de palestras online e presenciais, além da leitura de livros especializados.

Tratam-se das ações de aprimoramento da equipe do Educativo do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-Bahia), que se preparou para mediar a exposição ‘O museu de Dona Lina’, em cartaz no Solar do Unhão. A mostra promove diálogo entre o Acervo do MAM e o Acervo de Arte Popular Lina Bo Bardi (Solar Ferrão, Dimus/Ipac). A visitação é gratuita e ocorre de terça a sexta-feira, sempre das 13h às 17h.


Lina (1914—1992) foi criadora e primeira diretora do MAM (1959 a 1963). Desde a década de 1990, o MAM integra o Instituto do Patrimônio (Ipac), vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult).

Diálogo e arte popular

“Nessa exposição, temos um diálogo entre o acervo do MAM e a arte popular; por isso, é fundamental que a equipe vivencie o espírito das pessoas da feira e o conceito da arte como vida, como cotidiano, que é a arte popular tão defendida por Lina”, explica a coordenadora do Educativo/MAM, a fotógrafa paulista Isabel Gouvêa. Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e graduada em Comunicação e Artes pela Universidade de São Paulo, Isabel responde ainda pela presidência da Rede dos Produtores Culturais da Fotografia no Brasil.

São os integrantes do Educativo do MAM que mediam a visita do público com as obras de arte expostas.


“Também somos responsáveis por visitas guiadas e projetos educativos do museu”, relata Isabel. Ela lembra que é muito importante o mediador criar um vínculo real com a temática das exposições. “Ao interligar as obras de artistas consagrados da Bahia e do Brasil com a arte popular, contribuímos para um olhar e um conhecimento mais amplo da arte, conceito trabalhado por Lina”, diz Isabel.


Foto: Catarina Brandão

Bem imaterial e etapas de reabertura

A Feira de São Joaquim está na fila para se tornar um Bem Imaterial protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2005. O pedido foi do Sindicato dos Vendedores Ambulantes e Feirantes de Salvador. O Iphan já registrou as feiras de Caruaru (Pernambuco) e de Campina Grande (Paraíba). Com essa proteção, o bem cultural passa a ter prioridade nas linhas de financiamento.


A reabertura do MAM é gradual e por etapas. Junto com a exposição ‘O museu de Dona Lina’, foi aberto também na última terça-feira (17) o Café Saladearte. Por enquanto, o museu permanece fechado aos sábados, domingos e nas segundas-feiras. A próxima fase será em setembro (2021), quando volta a funcionar a sala de cinema do MAM/Solar do Unhão, que será a primeira do circuito a reabrir.


“Depois, até final de novembro, devemos abrir o Espaço Lina Bo Bardi, que será uma sala dentro do museu para memória da arquiteta, mostras e experimentações sempre ligadas a ela e sua obra”, explica o diretor do MAM-Bahia, o cineasta e gestor cultural Pola Ribeiro.

Mais informações sobre o MAM estão disponibilizadas em suas redes sociais (instagram e facebook) ou via telefone (71) 3117-6132, das 9h às 12h e das 13h às 15h.