Jorge Amado concorreu ao Nobel de literatura há 50 anos e perdeu para Neruda


Foto: Reprodução

À época, Amado já tinha publicado alguns de seus maiores sucessos, como "Capitães da Areia", de 1937, "Gabriela, Cravo e Canela", de 1958, e "Dona Flor e Seus Dois Maridos"


O escritor brasileiro Jorge Amado foi considerado pela Academia Sueca em 1971 para ganhar o prêmio Nobel de literatura. É isto o que revela um documento recentemente divulgado pela instituição, que só abre os nomes considerados para cada prêmio 50 anos após a ocasião. Naquele ano, o poeta chileno Pablo Neruda foi o vencedor.


Ainda assim, de acordo com os arquivos, o presidente do comitê Anders Österling ficou na dúvida se Neruda era a escolha certa, considerando se "tendência comunista cada vez mais dominante em sua poesia [era] compatível com o propósito do prêmio Nobel".

Eram quase cem nomes na lista –muitos célebres, como o argentino Jorge Luis Borges (que acabou recebendo apenas um Nobel póstumo), o búlgaro Elias Canetti, o francês André Malraux, os americanos Ezra Pound, James Baldwin e Arthur Miller. Mas nesse rol, apenas uma mulher: a poeta e tradutora estoniana Marie Under.


A escritora expressionista chegou a concorrer ao prêmio oito vezes e ajudou a fundar o sindicato dos escritores no seu país natal. Não há obras dela publicada no Brasil.


O páreo também tinha William Golding, de "O Senhor das Moscas", Günter Grass –que receberia o prêmio em 1999–, Graham Greene, que já havia aparecido em listas anteriores, assim como Vladimir Nabokov e Tennessee Williams.


À época, Amado já tinha publicado alguns de seus maiores sucessos, como "Capitães da Areia", de 1937, "Gabriela, Cravo e Canela", de 1958, "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de 1966, e "Tenda dos Milagres", de 1969, com traduções em diversos idiomas.

O documento original em sueco aponta apenas ainda que a indicação de Amado foi sugestão do professor de literatura francesa na universidade de Nancy, Laurent Versini. Enquanto isso, Neruda já acumulava três recomendações.


O baiano já havia aparecido na lista de 1967 do Nobel, assim como o itabirano Carlos Drummond de Andrade –quando perderam para o guatemalteco Miguel Ángel Asturias.