Morre a famosa cozinheira baiana, Alaíde do feijão


Foto: Saravá: memórias e afetos

A famosa cozinheira baiana Alaíde Conceição, de 73 anos, morreu no inicio da tarde desta segunda-feira (31), após contrair Covid-19 pela segunda vez. A informação da morte foi confirmada pelo neto de Alaíde, Eldo Neves, via rede social.


"É com muita dor e tristeza que venho informar o falecimento de minha avó Alaíde do Feijão. Ela lutou, lutou com bravura, resistiu até o último momento, foi contaminada novamente pela Covid no hospital, teve uma parada cardiorrespiratória e infelizmente dessa vez ela não resistiu e partiu para o descanso. Informaremos sobre o momento de despedida", diz a mensagem.

Trajetória - O trabalho de cozinheira foi herdado da mãe, que tinha uma banca de venda de comidas na região da Praça Cayru, no bairro do Comércio, em Salvador. Com a aposentadoria da matriarca, Alaíde resolveu manter viva a tradição dos quitutes. Em 1993 abriu seu primeiro restaurante na a Ladeira da Ordem Terceira do São Francisco, no Pelourinho. Posteriormente, nmudou de endereço, para a Rua das Laranjeiras, também no Pelô.



Em nota o coletivo de entidade negras o CEN, lamentou a morte de Alaíde:


O Coletivo de Entidades Negras (CEN) acaba de receber, com muita dor e pesar, a confirmação da morte da grande matriarca do movimento negro baiano e brasileiro, a cozinheira Alaíde do Feijão, do Restaurante da Alaíde, no Pelourinho, ponto de encontro de históricas articulações políticas do povo negro baiano. Trata-se de uma perda irreparável, que deixa órfão todo o movimento negro brasileiro.


Alaíde era uma mulher de grande força, representatividade, e legítima matriarca, como tantas mulheres negras chefes de família da Bahia e do Brasil. Começou a vender feijão ainda jovem, em tabuleiro na frente do Elevador Lacerda, até se mudar para um imóvel no Pelourinho, localidade onde permaneceu até os últimos dias. Atuante no movimento negro, tinha um carinho especial com todos que recebia, entre eles políticos e ativistas relevantes, tratando cada um como filho. Era filha de Omolu, o Orixá das doenças e da cura, grande Rei da Terra, e sempre fazia questão de reverenciar as insígnias do seu santo no ambiente do restaurante.


Foi no seu estabelecimento, conhecido pela feijoada e outros quitutes, que nasceram acordos políticos históricos e surgiram movimentos novos de luta por direitos. Foi lá, no endereço mais recente, o da Rua da Laranjeiras, que surgiu, por exemplo, o movimento Eu Quero Ela, que incentivou o maior número de candidaturas negras da história à Prefeitura de Salvador, nunca governada por um prefeito negro eleito.


Alaíde do Feijão deixa um vazio político e cultural impossível de preencher. O movimento social negro da Bahia e do Brasil estão em luto, tristes, órfãos, como poucas vezes. O sentimento geral é de consternação, devastação. Perdemos uma grande mente conciliadora. O CEN externa sua solidariedade à família e aos amigos mais próximos e decreta luto interno.


Em tempo, segundo informações da família, Alaíde sofria com sequelas da Covid, entre outras doenças fruto da da idade, e foi infectada pelo Coronavírus novamente no hospital onde estava em tratamento. Resistiu até onde pôde, mas hoje partiu para outra dimensão, após uma parada cardiorrespiratória.


Desejamos que Alaíde descanse em paz! Pois ela estará viva para sempre em nossos corações, afinal quem vive na memória nunca morre!