Pediatras criticam Bolsonaro por aparecer em foto ao lado de criança com réplica de fuzil


Foto: Isac Nóbrega/Pr/Divulgação

Sociedade de pediatria vê risco à saúde e afronta à lei


A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu nota, nesta sexta-feira (1) criticando a postura do presidente Jair Bolsonaro em um evento realizado na quinta em Belo Horizonte, no qual posou empunhando uma réplica de um fuzil ao lado de uma criança.


“Não se trata de uma discussão ideológica ou sobre a liberdade da posse, ou não, de arma pelos adultos. O que está em jogo é a vida e a integridade física e emocional de milhares de crianças e adolescentes. Por isso, os pediatras conclamam as autoridades para uma profunda reflexão sobre os efeitos destas ações de mídia e de marketing, que devem se basear na legislação e na ética, e nunca serem maiores que o compromisso com a dignidade da população brasileira”, diz o comunicado.

No texto “Arma não é brinquedo”, a SBP lembra a importância da população em geral, em especial autoridades e personalidades públicas, respeitarem as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garante e exige a proteção dos direitos dessa faixa etária. A instituição lembra que a legislação inclui, entre outros pontos, a preservação da imagem e valores das crianças.


“A SBP lamenta que cenas como as exibidas às vésperas do Mês da Criança sejam cada vez mais frequentes. Não se trata de uma discussão ideológica ou sobre a liberdade da posse, ou não, de arma pelos adultos. O que está em jogo é a vida e a integridade física e emocional de milhares de crianças e adolescentes. Por isso, os pediatras conclamam as autoridades para uma profunda reflexão sobre os efeitos destas ações de mídia e de marketing, que devem se basear na legislação e na ética, e nunca serem maiores que o compromisso com a dignidade da população brasileira”, afirma a entidade.


Segundo a SBP, estudos revelam os efeitos negativos que as armas de brinquedo surtem sobre o desenvolvimento e a construção do caráter das crianças que, ao contrário de adultos, são incapazes de distinguir uma arma real e uma arma de brinquedo. Dados mostram que quase 60% dos integrantes de um grupo de crianças com idades entre 7 e 17 anos se encaixam neste perfil.


A entidade também lembrou que a cada 60 minutos uma criança ou adolescente morre em decorrência de ferimentos por arma de fogo no Brasil. As informações constam em um levantamento feito pela SBP em 2019 com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, referentes a 2016. O documento também informa que em 20 anos mais de 145 mil jovens, com idade entre zero e 19 anos, morreram por causa de disparos acidentais ou intencionais.