[POLÊMICA] Políticos opinam sobre retorno às aulas presenciais na Bahia

A questão da volta às aulas presenciais na Bahia acabou virando alvo de disputa política e até judicial. Na semana passada a juíza Juliana de Castro Madeira Campos atendeu um pedido do vereador de Salvador Alexandre Aleluia (DEM) e determinou o retorno das aulas presenciais na Bahia até o dia 1º de março. A pedido do Governo do Estado, a liminar acabou derrubado alguns dias depois pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

O tema, sem dúvidas, bastante polêmico. Se por um lado tem aqueles que cobram do Estado e município o retorno imediato das atividades nas escolas da rede pública e privada, existem outros que preferem adotar um discurso mais cauteloso sobre o assunto. A vacinação dos profissionais da educação é colocada por alguns como um dos fatores condicionantes para a volta às aulas. A politização da discussão em torno da volta às aulas também é notória. O que não é falta político querendo ganhar capital político através desse debate. O Veja Notícias Online ouviu deputados e vereadores baianos a cerca do assunto. E você é contra ou favor?

Deputado Federal Paulo Azi (DEM)

Foto: Divulgação

“Os estudantes não podem perder dois anos seguidos. Por um lado, sou favorável que as aulas retornem, mas por um outro defendo que esse retorno tem que se dar com a absoluta segurança. É preciso que sejam observados os cenários pelo governo e prefeituras para que o melhor momento seja avaliado. Mas que tem q voltar esse ano, isso eu não tenho dúvidas”.

Deputada Federal Lídice da Mata (PSB)

Foto: Divulgação

“A educação é fundamental para o desenvolvimento cognitivo da criança e do adolescente. No entanto, este não é o momento de retorno das atividades presenciais. O Brasil vive um momento muito ruim da pandemia, com a média móvel de mortes na casa dos 1 mil óbitos há quase um mês e sem perspectiva de baixa. Acredito que a volta às aulas deve se dar à medida que os casos de COVID estejam sob certo controle e a cobertura vacinal abranja uma quantidade maior de pessoas. Agora é o momento de utilizar as ferramentas tecnológicas para aulas remotas e, no momento certo e seguro, poder retomar as atividades presenciais”

Deputado Rosemberg Pinto (PT), líder do Governo Rui Costa na Assembleia Legislativa da Bahia.

Foto: Divulgação

“O retorno das aulas deve estar condicionado a uma análise das Secretarias de Saúde e Educação do Estado para verificar a tendência de queda do surto, nesta terceira fase da pandemia. Neste momento, que estamos em uma curva ascendente, seria uma irresponsabilidade o retorno às aulas. Com relação à vacinação, nós temos que trabalhar o processo de imunização dentro do que a Organização Mundial de Saúde orienta. Não temos como priorizar o professor e deixar a empregada doméstica de fora, ou dar prioridade aos educadores e deixar os servidores do Tribunal de Justiça, ou os comerciários sem vacinar porque todos cumprem uma tarefa de relacionamento coletivo. Talvez de todos esses segmentos, os docentes sejam o que mais podem se proteger pelo processo de distanciamento, pela possibilidade de utilização dos equipamentos de proteção. Se pudéssemos vacinar professores e alunos seria maravilhoso. O problema é que não tem vacina”.

Deputado Sandro Régis (DEM), líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia

Foto: Divulgação

“Tenho dois filho: uma de 11 e um de 9 anos. Como pai sinto a necessidade de meus filhos retornarem às aulas presenciais, porém eu acredit5o que só deveremos fazer isso com a maior segurança. Principalmente, nesse momento em que a cidade atravessa o pico da pandemia. Caldo de galinha e cautela não fazem mal a ninguém”.

Vereador Claudio Tinoco (DEM)

Foto: Reprodução

“Tivemos um ano de 2020 praticamente zerado para a Educação e, com todas as medidas de segurança necessárias, temos que garantir que nossas crianças estudem neste ano. As secretarias devam tornar público os protocolos que estão desenvolvendo, além dos dados e das perspectivas reais para retorno às aulas na cidade. Aprovamos a instalação da Frente Parlamentar da Educação Fundamental e Infantil que irá, neste primeiro momento, debater a volta às aulas em Salvador. A Frente tem como objetivo acompanhar e fiscalizar os programas de educação municipal e estadual, trazendo soluções para a qualidade do ensino, infraestrutura das escolas, além das condições de trabalho dos professores e funcionários da educação. A nossa luta é pela Educação e em defesa da qualidade do ensino para todas as crianças e jovens baianos”.

Vereadora Marta Rodrigues (PT), líder da oposição na Câmara de Salvador

“Precisamos evitar os vetores de transmissão, inclusive, a alta tendência de crescimento de casos pode resultar em novas medidas restritivas que estão sendo estudadas pelo governador Rui Costa e pelo prefeito Bruno Reis. Escola não é mercadoria, para ser tratada como comércio, como tentam justificar os que são favoráveis ao retorno presencial dos jovens fazendo uma relação com a abertura de salões de beleza, academias e bares. O governador mostrou que 9 hospitais estão com leitos 100% ocupados, janeiro foi o pior mês da pandemia desde julho do ano passado, não podemos colocar em risco a vida de crianças, jovens, familiares, professores e todos envolvidos no processo da educação”.

Vereador Alexandre Aleluia (DEM)

Foto: Valdemiro Lopes

“A retomada das aulas presenciais é o mínimo que se pode fazer pelas crianças e pelo sistema que está se esfacelando. Depois que o sistema estiver falido não terá nem o que voltar. A Bahia é o único estado a completar um ano sem aulas e sem nenhuma previsão. Tudo isso que estamos vivendo é totalmente irracional.”

Vereador Augusto Vasconcelos (PC do B)

Foto: Izis Moacyr/Bahia.ba

“Pretendemos ouvir todos os segmentos de uma maneira democrática e respeitosa para que a Câmara possa formar suas convicções. O fato é que retomar as aulas presenciais no momento de elevação do pico da doença e sem a adoção de protocolos sanitários adequados pode intensificar os riscos de contaminação. É necessário que os trabalhadores e trabalhadoras da educação, assim como mães, pais e alunos possam ser escutados no momento dessa definição. Existem escolas, inclusive em Salvador, que não têm sequer água encanada. Como retomar as aulas com essas condições? Precisamos, sim, de um plano para que haja uma extensão da internet banda larga para toda a população, assegurando que nesse momento as aulas possam acontecer de maneira virtual sem prejudicar o rendimento dos estudantes”, sinaliza o ouvidor-geral”.

Vereador Sílvio Humberto (PSB)

Foto: Assessoria do vereador

“O retorno às aulas é uma situação extremamente delicada e polemica…Para mim, o fundamental não é ser contra ou favor, porque entendo que existe um desejo de todos que são envolvidos com a educação para que ocorra o retorno às aulas. Entre o desejo e a realidade dos fatos ai há uma distancia. Nós sabemos que os índices de contágio e mortes, que são elementos que deveriam balizar esse retorno, estão em alta. Então é uma temeridade você voltar com as aulas presenciais nesse momento. Todo cuidado é pouco. Estamos falando de uma rede extensa que envolve milhares de pessoas. Estamos lidando com a vida dos jovens, das crianças, adolescentes, das famílias e dos profissionais de educação. Acho que os profissionais de educação deveriam entrar no grupo de prioridades para vacinação. Esse é um momento difícil. O que resolveria o problema é o que não se tem que é um plano nacional de vacinação. O dever de casa não foi feito anteriormente e nós estamos pagando. Vai além de preparar o espaço físico é preciso também preparar a cabeça das pessoas. Então, voltar sem avaliar com muito cuidado e sem a segurança das questões sanitárias é uma temeridade”.

Deputado Estadual Paulo Câmara (PSDB)

Foto: Divulgação

“Tenho registrado o meu posicionamento quanto a importância do retorno às aulas. Eu já falei aqui para vocês e vou seguir insistindo na importância do Governo da Bahia se posicionar e agir para que nossas crianças tenham o seu direito à educação garantido. Não é possível que apenas a Bahia não tenha resolvido essa questão e se planejado para atender aos alunos da rede pública e liberado, com regras e normas claras, o funcionamento e retorno às aulas dos alunos da rede pública. Enquanto isso, muitas crianças sofrem por não estarem na única rede de apoio com as quais podem contar, que é a escola”.

Vereadora Cristiane Correia (PSDB)

Foto: Divulgação

“Queremos ouvir as pessoas. O pai quer que o filho retorne? E o aluno, será que ele quer retornar? Existe um discurso de que esses pais não querem, estão temerosos, mas não é bem isso que a gente vê na realidade. Precisamos ouvir, dar voz a todos os personagens envolvidos com a educação, que são os pais, os alunos e os profissionais da área, além de autoridades da saúde”.

Vereadora Marcelle Moraes (DEM)

Foto: reprodução

“Até quando vamos falar de Carnaval, enquanto as aulas estão fechadas? Jovens de todo o estado, principalmente os que estão em situação de maior vulnerabilidade, continuam sendo prejudicados por conta da falta de definição em relação ao retorno das aulas. Nenhuma aula online substitui ir à escola. É preciso elaborar um plano de ação urgente onde os professores e funcionários sejam vacinados”