Sensação do rap baiano, Obraian dispara: “Existe na Bahia um movimento em prol do rap”


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A paixão pela música surgiu nas rodas de música na época Colégio Cândido Portinari, no bairro do Costa Azul. Ao som de bandas inspiradas no hardcore californiano, tais como como ForFun, Scracho e Dibob, o jovem soteropolitano Vinicius Soares, conhecido como "Obraian", arriscava as suas primeiras melodias no rap.


“Comecei minha trajetória na época do colégio com amigos de turma. Curtíamos muito pop punk e bandas de rock dos anos 2000. Ouvíamos também muito reggae. Aos poucos a cultura norte americana e as coisas “gringas” foram entrando em minha vida. Assim como também novas culturas que fui descobrindo, como Travis Scott, Soja e Galhi, um rapper italiano que acabou me influenciando bastante”.





Foi nessa época também, mais especificamente em um estúdio pequeno, improvisado dentro de sua casa, que começaram a rolar os primeiros projetos de banda e de onde surgiu o seu primeiro contato com produção e composição musical.


“Daí em diante me envolvi em diversos projetos, sendo que em 2019 lancei o meu primeiro trabalho oficial como "Bráins", o single "L.A.", pelo selo Mangue Virtual, do qual também sou fundador, sócio e produtor, juntamente com Deko (André Nunes). Em especial, destaco dois projetos : "Na Estrada Que é o Bixo" e "Frita Minha Mente", que alcançaram mais de 100.000 mil visualizações e aos poucos revelaram uma nova fase minha como artista”.


Questionado sobre qual a sua avaliação do atual cenário da música na Bahia e em que contexto se enquadra um rapper na terra tem como tripé musical o samba/pagode/axé, o jovem mostra jogo de cintura. Obraian ressalta que “apesar de parecer que não, as pessoas estão sempre evoluindo e as coisas estão sempre crescendo”, e no cenário cultural de “soteropolis”, não é diferente:


“Acho que em todos os âmbitos da nossa vida a gente tem sido cada vez mais sensível ou, ao menos, procurado ser. Aos trancos e barrancos vejo que aqui na Bahia as pessoas tem procurado se juntar. Apesar de ser bastante introspectivo, tenho procurado me conectar com algumas pessoas próximas da minha cena e tentando fazer algumas coisas em parceria. Existe na Bahia um movimento em prol do rap. Existem pessoas trabalhando muito. Dannilo, que estamos juntos em algumas produções... Jovem Dex, Fashion Piva, Teto, dentre outros...”


“Se a gente olhar no âmbito mercadológico é algo complicado, mas não vejo com um problema. Não é algo a que eu me prenda ou que fique refletindo. Isso é inevitável em qualquer cultura e em qualquer lugar. O trap veio dos Estados Unidos, de Atlanta, então, digamos, que todo lugar que alguém faça trap, fora disso, ele estará numa espécie de “contracultura”. Existe espaço para artistas desse segmento aqui na Bahia. Existe espaço para arte, tá ligado? Então, quem fizer isso de coração e se dedicando com um bom trabalho, vai chegar em algum lugar. A gente vê Matuê, Filipi Ret e uma galera alcançando números que ninguém ia dizer, através do rap e do trap”, acrescenta.

Seu grande sonho na música? “viver através dela”.


“Mais do que isso: não só no sentido financeiro, mas ter uma vida dedicada à música. Acho isso honroso, legal e seria foda. Me alimenta bastante. De uma forma ou de outra, com as minhas limitações e responsabilidades que tem que haver, eu semanalmente estou em contato com música. É isso que me faz seguir”, conclui.