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"Sou um criativo musical". Conheça a trajetória do cantor, compositor e publicitário, Rafa Góes

Atualizado: 12 de Nov de 2021



"O mundo tá lá fora e não na tela", diz o refrão da música do cantor, compositor e publicitário (não necessariamente nesse ordem), Rafael Goés. A canção, que concorre ao título de "melhor música", no 19º Festival de Musica Educadora FM, traz uma reflexão sobre a relação das pessoas como o universo das redes sociais. "O Mundo Tá Lá Fora", como fora batizado o single, acabou entre as 50 finalistas, em meio de 1,3 mil composições inscritas no tradicional festival.


"As pessoas estão viciadas nas redes sociais e se deixam ser usadas por elas. Essas pessoas expõem na rede social uma vida que não é a vida real delas. Isso é uma coisa que, de certa forma, me incomoda. A rede social é muito bom para a gente, para as empresas, mas ao mesmo tempo prejudicial.", explica Rafa.

"Escrevi a musica no Festival por hábito mesmo, já que havia me inscrito também no ano passado. Era um desejo meu participar de um evento de suma importância na cena musical da Bahia. Não esperava que fosse ter a recepção que tive. Foram cerca de 150 mil views no Youtube! Fico feliz de ver minha musica tocando na programação de uma rádio e chegando com a força própria dela, sem pagar nenhum jabá", ressalta o compositor.

Trajetória - Nascido em Salvador, o publicitário de 24 anos, começou a tocar profissionalmente aos 17 na banda de rock, "Murdera". O grupo chegou a dividir grade de evento com artistas de projeção nacional como Pitty e Raimundos. Em 2017, os roqueiros participaram do Carnaval de Salvador, compartilhando palco com É o Tchan e Aviões do Forró. O Murdera durou aproximadamente cinco anos, sendo seu trabalho de maior destaque a música "Viva você, seja Você".


"Resolvi então dar uma pausa nos projetos musicais e me dedicar a faculdade. Hoje, sou publicitário e atuo na área, através da minha agencia, a THOTH".


"É coisa do destino", diria Caetano Veloso na velha canção. Tudo caminhando direitinho, coisa decidida, mas veio o destino... E a música novamente cruzou a vida de Rafael. O trabalho como publicitário, embora invocasse sua criatividade não dava vazão total ao artista que andava adormecido. Os rabiscos em forma de cifras começaram a ser produzidos em paralelo à sua produção publicitária.


" A volta foi bem natural, se deu pela minha própria necessidade de abrir para o mundo minha criação... Aliás, nunca parei... Sempre continuei compondo em casa... Fiz apenas uma pausa, no sentido de me apresentar ao vivo, mas nunca parei de produzir. Minha carreira solo foi iniciada em 2020, quando lancei um EP com cinco músicas. Esse ano já lancei um single e pretendo lançar outro.", explica o jovem que se define como um "cantautor" (cantor e autor).


"Canto as musicas que eu escrevo. Não vejo muito sentido em buscar em outros compositores canções para estar dentro de um projeto meu. Quando entro no estúdio para gravar alguma coisa vejo que é algo que eu escrevi, que eu vivo. Costumo escrever aquilo que eu vi. A minha ligação com a criação é totalmente para falar de coisas da minha vida. Essa é a minha motivação em fazer música", completa.

Inspiração - Um "criativo musical", assim se define Rafael Góes, gênero musical a sua obra .


"A musica me dá infinitas possibilidades de criação... Não me sinto confortável em criar somente um tipo de música. Quero criar tudo. Tudo aquilo que estiver no meu arco, na minha caixola... Inclusive, quando você vai subir uma música nas plataformas musicais você pode selecionar mais de um gênero, ritmo. Isso é bom para artistas como eu, que não se limita a um gênero só. Posso chegar aqui agora e compor um EP só de samba. Escrevo musicas de samba, assim como de reggae... Sou um criativo musical".

A influência do pop vem da convivência com o pai, já o contato com a batida da música afro baiana é fruto das suas próprias andanças, como ele mesmo conta:


"Sempre escutei muito de tudo... Acho que isso é uma característica da Bahia, por ser uma terra muito plural, cheia de ritmos, com forte traço da cultura afro, a música percussiva...Eu não tive na minha casa quem influenciasse a escutar ou que me apresentasse a esse universo mais raiz da música baiana. Escutava Lulu Santos, Tim Maia, Skank, muito por influência de meu pai. O tempo foi passando e eu fui absorvendo essas referências. Quando comecei a tocar com minha banda de rock passei a ter mais contato com a música percussiva da Bahia, com os artistas baianos... Minha influências passam desde Lulu Santos até artista nordestinos como Djavan ou o próprio Gilberto Gil".

"No meu som eu busco uma linguagem direta com as pessoas... Não gosto de dizer que é uma linguagem popular. Gosto de falar simples, para que as pessoas possam me entender... Diria que essa característica minha tem muito haver com Bob Marley, que escrevia muito simples, muito direto. Se você traduzir as suas letras para qualquer idioma, você consegue entende-lo muito bem. Busco esse tipo de abordagem. Na parte dos arranjos, trago timbres voltados para o rock, os violões de nylon da MPB, as percussões... São diversas as fontes em que busco beber", finaliza.

Ouça "O Mundo Tá Lá Fora":